O início...




Era junho de 2006, e deu-se o estalo. Houve vontade de possuir uma moto bem antes, nos idos de 1990, mas a "paixonite" não ganhou força na época. Foi em 2006, em fase de solidão, que recebí bem a idéia de meu amigo Márcio Ferraro: "compre uma moto e entre num moto clube". Foi exatamente o que fiz, ou melhor, quase, pois a moto comprei, mas entrei num "Moto Turismo", uma outra concepção. Era em Julho de 2006, mais um membro do Carpe Dien Moto Turismo (http://www.carpedien.org.br/). Muitas vezes antes, houve aquela veemente negação à motocicletas, pelo perigo, etc..., mas foi um misto de curiosidade com aventura, e uma grande pitada da velha solidão que venceram antigos receios.

Foi amor à primeira viagem! Fica difícil descrever a emoção que me tomava por dentro do capacete. Tudo era especial, novo, emocionante. Estávamos por volta de 30 motos, todas de alta cilindrada, serpenteando pela Rodovia Castelo Branco (SP), equidistantes, em fila dupla alternada, todos respeitando e zelando pela segurança de cada membro.
O sol estava radiante, e eu também o estava, dentro dos couros, botas, capacete. Era um mundo novo, inexplorado, aconchegante, e lá, me sentí muito seguro. Foi-se o medo, agora irmão de estrada de tantos novos irmãos.
Simples assim, ao meu alcançe, sem problemas, só confraternização e o gozo de rodar de moto, fazendo parte da "serpente amarela" (formação e cor predominante do Carpe Dien). O pach (bordado emblemático do grupo), havia-me sido dado e permitido usar, em sonelidade simples e festiva, outorgando-me o direito e deveres de ostentá-lo e respeitá-lo perante a sociedade.

Foram inúmeras viagens em grupo, grandes amizades se fortalecendo, sendo que em um ano, rodei bons 24.000km. Adotei meu apelido dentro do grupo como TUCO, meu apelido de infância em família.

Em 2007, outubro, nasce este filhotinho amado da foto (Arthur). A Harley Davidson foi o enfeite da porta da maternidade. Vinham muitos ao nosso andar na maternidade, para ver a moto estacionada na porta do quarto. Hoje com quase dois anos, meu quarto filho da segunda fornada, demonstra uma vibração imenssa quando o coloco em cima de minha moto. Seu olhos brilham, há um sorriso farto, também presente quando o portão elétrico da garagem começa a abrir. Tudo deve estar associado a liberdade: moto e porta aberta.
Foi exatamente o que aconteceu, o motociclismo foi uma porta nova por mim aberta e explorada. Com responssabilidade e maturidade, pois se há algo que a motocicleta exige, é maturidade.
Hoje, a Honda Shadown 750, está com pouco mais de 45.000km rodados em 3 anos, sem acidentes, e cada quilômetro me porpocionando muito prazer e vivência.

Muitos dos motociclistas que conheço, sua imenssa maioria, são pessoas maravilhosas, que acrescentaram cor e sabor a minha vida. Sobre duas rodas, há de tudo um pouco, sem reservas, sem preconceitos. O universo motociclístico é generoso e diversificado. Meus irmãos de estrada, são-me preciosos e necessários.

Como meu filho Arthur, nascí em 2006, ou melhor, renascí. Estamos aprendendo e vivendo intenssamente a vida que nos apresenta. Caminharemos juntos, rodaremos juntos. Nada está escrito, nossos destinos nos pertencem, nossos rumos e escolhas.


Comentários

  1. Lindo texto...

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  2. É bom ler você! Já li motores, já li peixes, cachorros...
    Agora, leio gente e moto! Gosto de gente...
    Não pára, não.

    Que vc tenha sempre uma bela estrada a percorrer e um destino onde possa recarregar a alma!

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  3. Oiiii Papi!
    Parabéns pelo blog, adorei os dois textos!

    Beijos da filhota, LALÁ

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